O livro é pop?
#65: Indicações variadas, eventos literários, livros de bolsa e um poema ensaístico
Boa noite, pessoal!
Peço desculpas pela demora, mas, como quero sempre entregar uma news de qualidade para vocês, decidi atrasar um pouco a entrega para conseguir aprimorar o texto.
O assunto de hoje surgiu de um vídeo que eu vi no TikTok, mas acho que vai interessar vocês.
Já ouviram falar em livros de bolsa? Não, não são livros de bolso! Continua lendo para saber mais!
Queridinhos da semana
Livro
Já tinha recomendado a série por aqui, e agora recomendo o livro! Se você nunca leu nada da Agatha Christie, esse é um ótimo começo. O livro tem uma linguagem leve, divertida, com muitos diálogos e um bom timing cômico. É bem diferente dos livros do Poirot, que geralmente são mais densos e descritivos, e a detetive aqui é apenas uma jovem curiosa. Eu adorei a leitura, mesmo já sabendo da trama, já que vi a série antes. Recomendo!
Série
A quarta temporada de Bridgerton já tá completa na Netflix, e eu fiz uma resenha analisando seu nível de erotismo. Gostei muito dessa temporada, mas o que sustentou a série com certeza foi a atuação da Yerin Ha, que faz a Sophie Baek. Ela arrasa demais!
Curta-metragem
Essa é uma categoria inédita de indicação aqui na news, mas eu precisava colocar, porque assisti um dos curtas que estão concorrendo ao Oscar. “Jane Austen’s period drama” é um curta sobre menstruação, mas ambientado como um filme da Jane Austen. O timing cômico é muito bom e as piadas são muito bem construídas. Vale a pena assistir, dura só 12 minutos e tá no YouTube!
Bônus
Sábado passado, assisti o show da turnê Phonica da Marisa Monte. Eu nunca tinha visto nenhum show dela ao vivo, mas esse com certeza me impressionou. A seleção de músicas estava impecável, a voz dela é uma coisa de outro mundo e a orquestra de 55 músicas deixou tudo ainda mais perfeito. Se a turnê for passar pela sua cidade, não deixa de conferir!
Eventos literários
Essa semana eu vou participar de dois eventos literários aqui em Fortaleza, e um já acontece amanhã! Vem conferir:
Festival de literaturas negras cearenses
Data: 12/03 (quinta-feira), às 17h
Local: Teatro José de Alencar
Lançamento da coletânea Choque
Data: 14/03 (sábado), às 16h
Local: Editora Nadifúndio, rua Franklin Távora, 678
Devaneios da escritora
Será que o livro está em alta? Mês passado, fiz uma edição completa da news falando sobre adaptações literárias. Eu achei que tinha falado tudo sobre esse assunto, mas surgiu uma trend interessante, então vim falar um pouco sobre.
Próximo domingo, dia 15/03, acontece a cerimônia do Oscar, e, das 10 obras indicadas a melhor filme, 4 são adaptações de livros, incluindo o favorito ao prêmio, Hamnet. Como falei na outra edição da news, Hollywood adora adaptar filmes. Atualmente, se um filme não é um remake ou uma continuação, ele quase sempre é uma adaptação de um livro famoso. Porém, transformar um livro em filme não a única tendência do momento.
O livro tem se tornado, cada vez mais, um objeto de consumo e de desejo na sociedade. Aqui, não estamos falando apenas do hábito de ler, mas do fato de possuir livros e exibi-los por aí. Quem aí não ficou sabendo do caso da Rafa Kalliman (a ex BBB), que comprou mais de 10 mil reais em livros só para decorar sua sala?
A literatura em si não é mais tão valorizada, mas o livro sim. Outro exemplo mais recente é o da trend de livros como acessório de luxo.
A marca Coach fez uma campanha de moda literária, e incluiu a atriz Elle Fanning, grande aposta para o Oscar, como garota propaganda. A ideia era divulgar sua coleção de “mini-livros de bolsa”, um formato legível, mas pequeno o suficiente para ser um acessório usável.
Acessórios de bolsa tem se tornado uma tendência cada vez mais presente no mundo da moda, desde a febre dos labubus. O livro como acessório, por outro lado, é algo um tanto inusitado e inovador, mas não sei se é uma inovação positiva.
Colocar o livro no lugar de acessório evidencia essa característica de “objeto de consumo”. Se antes o legal era falar sobre o livro, discutir a narrativa e debater sobre os autores, agora o mais importante é expor sua coleção.
Isso vem de uma “cultura de performance”, termo que tem ficando cada vez mais popular. Uma “pessoa performática” é descrita como aquela que quer passar uma imagem para a sociedade de algo a mais do que ela realmente é, ou seja, ela está fazendo um tipo de performance de si mesma.
Um exemplo disso são aquelas pessoas que levam um livro físico na bolsa e começam a ler no meio da rua, numa fila, no metrô, em um café. Pode ser que essa pessoa realmente goste de ler e esteja aproveitando todos os momentos para ficar em dia com sua leitura. Contudo, como essa é uma imagem não muito usual, principalmente no Brasil, é comum achar que aquela pessoa está “performando” um ser mais intelectual, alternativo, culto e desligado dos prazeres mundanos, como o celular e as redes sociais.
Essa ideia de performar está diretamente relacionada com a trend dos chaveiros de livros. Ser visto com um livro virou um símbolo de status, não porque o livro em si é um objeto de luxo (apesar de que, no caso dos chaveiros, ele é), mas porque ter tempo para ler virou uma raridade, e quem tem esse tempo é visto como privilegiado. Assim, os livros são colocados em outro patamar, e o fato de uma marca de luxo ter investido neles é só um indício dessa nova moda literária.
Por outro lado, se, por um tempo, os livros de bolso eram muito populares exatamente por caber no bolso pra levar por aí, por que não ter livros de bolsa? Será que eu deveria começar a transformar meus livros em chaveiro?
Momento de leitura
Esse mês, começo um novo projeto no 365 poemas, com micro-ensaios e poemas em prosa. A minha ideia é investigar o desejo e o erotismo na escrita. Deixo aqui o poema de abertura, um poema em prosa que define o tom desse projeto:
Mapear todos os pontos de vibração da língua. Selecionar o que preenche a boca por inteiro. Devorar a palavra não para se sentir saciado, mas para captar o momento da mordida.
A news de hoje fica por aqui! Espero que tenham gostado!





